Arte Sacra e Teatinidade: “Missão teatina no Cáucaso”
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Em continuidade com sua tradição espiritual, cultural e artística, a Ordem dos Clérigos Regulares Teatinos reafirma o seu compromisso com a arte sacra como meio privilegiado de contemplação, transmissão da memória e expressão da fé. Nesse contexto insere-se o ciclo pictórico que o Mestre Rodolfo Papa vem realizando na Cúria Geral, fruto de um vínculo de profunda colaboração e estima mútua que une o artista à vida e à missão da Ordem.
Reconhecido pintor, historiador da arte e acadêmico, o Mestre Papa desenvolveu nessas obras uma reflexão visual que dialoga com a tradição figurativa clássica e com a identidade teatina. Sua pintura situa-se na grande corrente da arte sacra, na qual a imagem transcende a estética para tornar-se instrumento de formação espiritual, memória histórica e contemplação teológica. Esse vínculo entre a Ordem e o artista manifesta a continuidade viva da relação entre Igreja e beleza, entendida como expressão da verdade.
Entre as obras mais significativas do ciclo encontra-se o grande quadro dedicado à missão teatina no Cáucaso no século XVII. A pintura evoca um episódio pouco conhecido: em 1626 os Teatinos enviaram os primeiros religiosos para aquela região e, dois anos depois, os missionários já estavam em Gori, na Geórgia, antiga terra cristã situada entre os impérios safávida e otomano. Entre eles destacou-se o padre Cristoforo Castelli — missionário, médico e pintor — que percorreu grande parte da região, fundou hospitais e deixou testemunhos históricos de grande valor. Com ele atuaram também os padres Arcangelo Lamberti, Andrea Borromeo e Giovanni Avitabile.
A missão não buscava converter pagãos, mas visitar e confortar comunidades cristãs cuja fé era ainda mais antiga que a tradição ocidental. Essa perspectiva marca profundamente a interpretação pictórica de Papa, que representa com audácia a especificidade espiritual dessa empresa. As figuras, reconhecíveis em sua identidade religiosa, inserem-se em uma paisagem evocativa da geografia caucasiana, marcada por horizontes ásperos e luz difusa quase sem sombras.
O formato monumental remete à grande pintura barroca da Contrarreforma, em diálogo com a tradição artística romana de Domenichino e Giovanni Lanfranco, incorporando também uma energia plástica que recorda a lição figurativa de Gregorio Sciltian. Contudo, a obra não se limita à continuidade estilística: propõe uma consciência renovada do papel da arte na fé contemporânea.
A experiência estética que a obra suscita ultrapassa o visível: a beleza ilumina o observador e o conduz ao símbolo central da fé cristã — a Árvore da Vida evocada na tradição dos khachkars armênios — ferida pelo pecado e redimida na Paixão e Morte de Jesus Cristo, apontando para a esperança da Ressurreição.
A relevância do trabalho do Mestre Papa foi também reconhecida recentemente pela Igreja universal com a incumbência de realizar a pintura preparatória do retrato do Papa Leão XIV, base para o mosaico oficial da série histórica dos Sumos Pontífices. Tal reconhecimento evidencia o prestígio internacional do artista e valoriza o ciclo pictórico desenvolvido na Cúria Geral teatina.
Assim, a colaboração entre a Ordem e o Mestre Rodolfo Papa demonstra como a arte continua sendo espaço de encontro entre história, fé e beleza, capaz de preservar a memória, formar a consciência e conduzir ao mistério de Deus.
Photo: All rights reserved: www.rodolfopapa.it